O artesanato tecendo linhas, oportunidades e emoções
Olhe para alguns pedacinhos de madeira e, depois, imagine-os unidos com a ajuda de alguns pregos. Simples? Talvez. Ao resultado dessa união pode-se dar o nome de tear, um equipamento de uso milenar que, com a ajuda das mãos transforma fios sintéticos ou naturais em tapetes, painéis, cachecóis, cintos, mantas e em tudo mais que a vontade e a imaginação intuírem.
Mas na vida do Engenheiro Químico Áquila Klippel o desejo pela tecelagem foi além da produção de peças decorativas ou vestuárias. Ele abandonou sua carreira para se dedicar exclusivamente ao tear. “Trabalhei em uma multinacional. A rotina de oito horas por dia, além das ordens de chefes, refletem a certeza diária de que prefiro o artesanato”. Klippel não tece mais, seu trabalho com o tear é orientar o tecelão principiante sobre as alternativas possíveis para dar sentido àqueles fios soltos que, quando unidos, encontram o rumo, o caminho entre si.

Tear Manual
Existem diversas maneiras para se envolver nessa trama, começando pelo tipo de tear. O pente liço, por exemplo, indicado para iniciantes. Com ele é possível fazer tapetes, tecidos. Outro tipo é o tear de pedal profissional que pode ser utilizado tanto para a manufatura de tapetes pesados como tecidos mais finos. “Possibilitam grande produção e qualidade nos trabalhos executados”, observa o professor. Para aprender a manuseá-los, Klippel chama atenção para as alternativas. “Pode ser com aulas particulares, com CD’s didáticos sobre o tear ou em associações também”.
Os curiosos pela tessitura, procuram a arte milenar apresentando os mais variados motivos. Alguns desejam descontração, outros, como a artesã Cinira, aluna de Klippel na Associação do bairro Sambaqui, na capital, buscam associar prazer com uma oportunidade de trabalho rentável. Depois de passar pelo tricô, crochê, macramé e, atualmente, patch colagem, a artesã percebeu no tear uma vantagem. “Como o artesanato é minha fonte de renda, penso na viabilidade. E como tecedeira tenho muitas opções de produção: tapetes, mantas, cachecóis. Ou seja, posso vender tanto no verão como no inverno”, observa Cinira.
O engenheiro por formação e professor de tear por vocação comenta que todas as pessoas são habilitadas a aprender o tear, lembrando que, muitas vezes o mais importante não é o resultado final, mas todo o processo até chegar nele. “Já passei pelo campo da educação especial. Lá, por exemplo, o principal objetivo é a coordenação e concentração. E, graças à persistência e dedicação das professoras, os alunos conseguem”.
Existem ainda aqueles que percebem no tear uma terapia ocupacional. É o caso de Norma Rosita, também aluna na Associação, que reconheceu no tear a possibilidade de sair da depressão. “Tenho problemas de saúde. Faço tratamento médico, mas foi aqui, em um mês, que encontrei um novo sentido à minha vida”, relata. A aluna observa, ainda, que tecer os fios exercita sua concentração, mas o mais importante é não se cobrar demais. “Errei? Desfaço, arrumo e aprendo”.

Professor Áquila Klippel ensina todas as técnicas sobre o Tear
Klippel, inspirado em suas experiências com inúmeros curiosos pelo tear, desde menores de rua, senhores da terceira idade e donas de casa, alunos especiais, como aqueles que estudam em Apaes, assim como cegos, estudantes de Artes Plásticas e, atualmente ministrando cursos na Associação de Sambaqui e no hospital psiquiátrico do presídio masculino de Florianópolis assegura que não existe tempo determinado para aprender a trama que envolve o tecer de fios, às vezes semelhantes e outras vezes totalmente diferentes. “Não tem um prazo. Cada um tem seu tempo”, observa o professor.
Para mais informações consulte o site www.tecelagemanual.com.br
Telefones: (48) 3232-6131/9998-0241
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